Advogado ameaça processar promotor Miguel Sales por difamação

Data: 24/01/2006 | Hora: 10:26 | Por: PEGraus360.com


O advogado Ademar Rigueira, que acompanha Thiago Antônio e Bruno Luiz Fernandes Vieira, irmãos que prestaram depoimentos para as novas investigações do Caso Serrambi, disse que vai processar o promotor de Ipojuca, Miguel Sales, pelo crime de difamação. Segundo Rigueira, Sales está fazendo acusações infundadas e irresponsáveis contra pessoas inocentes.

“Qualquer informação, venha do Ministério Público ou das autoridades policiais, que envolvam os nomes desses rapazes, nós vamos querer saber quais as provas e processar essas pessoas que, irresponsavelmente, tragam essas notícias à imprensa. Chegou a hora de dar um basta no denuncismo desse caso”, disse Ademar Rigueira, na tarde desta segunda-feira (23), na sede da Superintendência de Polícia Federal, no Cais do Apolo, no Recife.

Por telefone, o promotor Miguel Sales reagiu à ameaça de ser processado afirmando que qualquer um pode processar e quem processa também pode ser processado.

Bruno Luiz foi convocado a prestar depoimento por conta da presença dele num flat em Boa Viagem. O apartamento teria sido arrombado um mês após o assassinato das jovens Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão. A pedido da família Dourado, esse episódio está sendo novamente investigado pela Polícia Federal. No flat, foram encontrados cigarros de maconha, fios de cabelo e manchas de sangue, à época do arrombamento.

Bruno nega que tenha estado no flat e diz que o apartamento foi alugado em 2002, um ano antes da morte das meninas. O depoimento de Thiago, que também seria nesta segunda, foi transferido para a próxima quinta-feira (26). Segundo o advogado, ele está viajando e só retorna ao Recife na quinta.

Também prestou depoimento nesta segunda o delegado Romero Leal, que era diretor da Polícia Rodoviária na época do crime e autorizou a perícia no flat, atendendo a um pedido da família Dourado. De acordo com o depoimento de Leal ao delegado Cláudio Joventino, a investigação da Polícia Civil descartou qualquer relação entre o encontrado no flat e o assassinato das adolescentes.

Cláudio Joventino encerra os interrogatórios e as diligências na próxima quinta-feira. O resultado das novas investigações deverá ser encaminhado à Justiça na sexta-feira (27).

O CRIME
Tarsila e Maria Eduarda desapareceram no dia 3 de maio de 2003. Elas tinham ido passar o fim de semana na casa de amigos na praia de Serrambi, litoral sul de Pernambuco. Depois de 10 dias do desaparecimento, o pai de Tarsila Gusmão encontrou os corpos das jovens num canavial de Camela, distrito de Ipojuca.

Na época, Marcelo e Valfrido Lira foram apontados pela Polícia Civil como responsáveis pelo crime. O Ministério Público, no entanto, não ofereceu a denúncia, por achar que as provas apresentadas eram insuficientes e os kombeiros foram soltos. Mas o inquérito conduzido pela Polícia Federal voltou a incriminá-los. Os dois permanecem soltos, à espera de decisão judicial.

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