Diário de Pernambuco destaca que futuro promissor atrai candidatos

Data: 08/05/2012 | Hora: 10:27 | Por: Júlia Schiaffarino - Diário de Pernambuco


Na Prefeitura de Moreno, Região Metropolitana do Recife, a reclamação sobre falta de dinheiro é recorrente. De uma arrecadação de R$ 52,2 milhões, registrada no ano passado, 75% dessa verba foi proveniente de repasses federais. Ainda assim, nunca se viu tanto pré-candidato a prefeito em toda história política do município como se apresenta neste ano. São seis. No início do ano chegaram a oito.

“Com o desenvolvimento de Suape e a construção do arco metropolitano, independente de quem for o prefeito, o desenvolvimento vai fluir para cá”, comentou o vereador Ubirajara Paz (PT), um desses pré-candidatos.

De fato, bons ventos econômicos são esperados. Alguns já começaram a soprar. Uma das maiores fabricantes de cintos da América Latina, a J. Shayeb, confirmou a ida para Moreno. O investimento inicial é de R$ 40 milhões. Dentro de três anos é prevista a instalação de uma fábrica de lâmina de sintéticos para atender à indústria. O empreendimento tem orçamento previsto de R$ 120 milhões. Da mesma forma, mais cinco empresas anunciaram ida para a cidade e juntas devem movimentar algo em torno de R$ 44,5 milhões.

Outra explicação ouvida na cidade sobre a motivação para tantos postulantes ao cargo é “um forte desejo de mudança”. Um discurso que, ao que parece, dará o tom da campanha em Moreno até outubro. “A gente vem há 30 anos com as mesmas pessoas no poder, e o sentimento que se tem na rua é de anseio pelo novo”, explicou o vereador Givaldo Gonçalves (PPS). Ainda de acordo com ele, isso já foi vivenciado pela própria Câmara, que, em 2010, registrou uma renovação de 70%.

Durante os 30 anos mencionados pelo vereador, o atual prefeito Edvard Bernardo (PMDB) governou a cidade três vezes. O contraponto foi Vavá Rufino (PSDB), outro com três gestões no currículo. Hoje adversários, antes aliados. Rufino foi vice em um dos mandatos de Bernardo

O tucano integra a lista dos pré-candidatos. O prefeito, que contabiliza oito anos seguidos no cargo, não poderá disputar a eleição e ainda não definiu quem vai lançar. Para o também pré-candidato Adilson Gomes Filho (PSB), essa indecisão de Bernardo teria deixado um vácuo que incentivou, ainda mais, a grande quantidade de postulações ao Executivo. “Esse tem sido visto como o momento de se lançar candidato”, contou.

Município vive crise habitacional

Um dos problemas da cidade de Moreno diz respeito à infraestrutura urbana e habitação. Mais de 50% das construções da cidade estão em situação irregular. “Aqui existe um monopólio de terras. O Cotonifício Moreno é proprietário legal da maior parte delas. É uma questão histórica”, explicou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Hugo Torres. A cidade se desenvolveu em função dessa indústria de tecelagem, que hoje funciona precariamente como uma imobiliária.

Para regularizar a situação das terras, foi incluída uma lei no Plano Diretor da Cidade no sentido de institucionalizar o IPTU progressivo. Um processo legal para que o município absorva as propriedades. “É uma questão política, depende apenas do prefeito. Mas tenho certeza de que será iniciado”, completou Torres.

Na semana passada, o assunto voltou a ser debatido na Câmara de Vereadores. Chegou à Casa um projeto de lei, em regime de urgência, para conceder auxílio-moradia no valor de R$ 250 e promover a desocupação temporária de três localidades. A medida é necessária para execução de um projeto do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social que visa a construção e reforma de casas e infraestrutura de bairros.

O dinheiro é federal, mas a prefeitura precisa arcar com a retirada temporária das famílias. “Há anos que essas famílias vivem nessa situação, e o dinheiro para as construções já foi liberado desde o ano passado. Porque só agora, em ano eleitoral, a prefeitura vem pedir auxílio-moradia?”, questionou o vereador de oposição Manoel Bizarro (PPL). De acordo com Hugo Torres, apenas há 15 dias eles foram informados sobre a forma da contrapartida. “Nosso intuito é viabilizar o projeto, porque se não corrermos atrás, ele não vai acontecer”, resumiu.
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